Medo da Astrologia

by Concreto Morto

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Repetição. Ritmo. Repetição. Passos maquínicos. Repetição insignificante. O som para. As engrenagens quebraram, ou só desencaixaram? De qualquer forma, o trabalhador surta, soca a
máquina, se desespera e se dá conta de que precisa esperar a análise do especialista. Só lherestam duas alternativas até o fim do expediente:

1) fazer o trabalho manualmente;

2) aguardar entediado até que o especialista solucione o problema da máquina.

As situações são igualmente cansativas. O horóscopo dizia algo sobre ter um dia ruim mesmo. O fim do expediente chega, junto a ele, o tédio. O céu de Curitiba é como uma passagem de Neuromancer, é cinza, como a cor de uma TV fora de sintonia. A cor do tédio faz com que o trabalhador busque alternativas, vive coisas proibidas pela lei, grita, bebe, vive algo proibido pela moral, se espanca, sente culpa por ser de um signo que ninguém quer ser.

Os velhos, que já atingiram os 25 anos, não produzem mais nada além de festas que incitam passos parecidos com os da máquina que quebrara em algum momento entre as 13:45 e as 18:00, pois, também estão quebrados. Com as mãos sujas de fuligem, graxa ou algo do gênero, percebem que as mudanças jamais aconteceriam graças a pessoas que possuem as mãos limpas, mas ainda assim, nada podem fazer, pois tudo é sobre o cansaço, o esgotamento, a inanição. A frustração por não poder fazer algo é maior em um mundo que nos diz que podemos tudo.

O trabalhador grita, o narrador ouve, mas não sente, a mensagem é vazia, repetida, esquecida,
ignorada, a mensagem contém códigos, mas tanto faz, ninguém ouve além do narrador. O trabalhador não ouve o narrador, mas o sente o tempo todo. O texto acaba, nada mudou. Repetição insignificante. O narrador e o trabalhador desaparecem.



www.facebook.com/concretomorto/

credits

released July 6, 2016

Gravado com a ajuda de Thiago Gaspar (gaspar/Floresta) e Gustavo Paim (Cãos/Meia-Vida)

Arte por Aline (Flores Feias/Meia-Vida)

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Track Name: Fim
De longe tudo parece uma aventura.
Quando próximos, transbordava inocência.
Não é metáfora alguma, o fim do seu sonho é o fim do meu sonho.
"Pés culpados não possuem ritmo"
Track Name: Medo da astrologia pt.2
Estrelas caem, deixam de brilhar
todos moram numa parte da cidade em que mal se pode ver o céu durante a noite
e essas mesmas pessoas sempre me dizem:
"você é de virgem e deve ter ascendente em virgem"
(Desculpa, me desculpa, desculpa, me desculpa)
A cartografia dos astros só me leva a um lugar...
(Desculpa, me desculpa, desculpa, me desculpa)
Não me importam tuas verdades,
não me importa o seu dinheiro.
Me esquece aqui e me deixa morrer.
Eu sou um perdedor.
Track Name: Colecionador de rochas, geólogo com amnésia
Tratando amizades como rochas exóticas
e eu as enterro profundamente, espero pacientemente florescerem
e eu me vejo um colecionador de esquecimento.
Track Name: Plataforma 16
Nossa dialética se explica assim:
A cada despedida, um coração partido.
A cada reencontro, a sensação de uma paixão à primeira vista.
Track Name: Corações sujos
Nós organizamos nossas festas para incitar pessoas velhas a atear fogo na cidade toda.
A revolução não virá de mãos limpas. Por que?
Corações sujos queimam mais forte, queimam mais rápido, queimam mais.
Mais escolas, menos prisões/Born to burn with hell to pay.
Track Name: UVB-76
Medo do passado nas premissas futuras,
saudade de um tempo que eu não vivi,
mensagem apagada, repetida, vazia, esquecida, repetida, pra quem?
No final sempre caio em ondas curtas...